Síndromes comportamentais e a compulsão alimentar

Síndromes comportamentais e a compulsão alimentar

23 de agosto de 2019 Sem categoria 0
Síndromes comportamentais e a compulsão alimentar

As síndromes comportamentais relacionadas à alimentação têm sido campo de estudos incansáveis, resultando em diversas pesquisas sobre os pacientes e suas condições, bem como uma melhor delimitação dos diferentes distúrbios.

Pesquisas apontam que até 5% da população mundial sofre com algum tipo de distúrbio alimentar. Mas os índices podem ser ainda maiores, pois a maioria dos pacientes não buscam ajuda profissional.

O que é a compulsão alimentar?

A condição, denominada transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP), está relacionada com distúrbios químicos cerebrais, em que as percepções de fome e saciedade são alteradas.

Ela ainda possui diversas denominações no ramo médico, como “comer compulsivo”, “crises de voracidade alimentar” ou “Binge Eating”.

Ainda que possam ocorrer com frequências variadas, em geral, estipula-se, ao menos, 3 episódios semanais de crise compulsiva (refeições exageradas), de acordo com o DSM IV – Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, que abrange transtornos alimentares sem outra especificação, e no CID, como transtorno de alimentação não especificado.

O paciente compulsivo pode ser acometido, com frequência, pelo sentimento de impotência perante os alimentos, além de desenvolver pensamentos obsessivos com a comida. Nesses casos, as refeições ficam cada vez menos espaçadas e toda a concentração do paciente se volta à ingestão de alimentos.

Os momentos de alimentação são seguidos de uma incapacidade de interromper o ato, mesmo quando a saciedade é alcançada. Assim, o paciente é acometido por arrependimento, culpa e vergonha por não manter o controle.

Principais causas da compulsão alimentar

Há uma série de fatores que se associam, compondo possíveis origens do transtorno. Mas determinar o agente causador ainda é bastante complexo.

1. Fatores genéticos

Não há conhecimento de um gene que desencadeia o comer compulsivo ou os demais transtornos alimentares. A herança genética, contudo, é um fator bastante presente na propensão aos diversos distúrbios.

Isso porque o formato corporal, os atributos físicos e a dificuldade em perder peso podem ser incidências que encaminham o paciente à baixa autoestima e distorções de imagem.

2. Fatores neuroquímicos

Estudos recentes apontam alterações nas atividades neurais nas regiões do córtex cingulado, frontal, temporal e parietal. Essas atividades cerebrais são relacionadas com o controle de comportamentos naturais, como o alimentar e o sexual.

As pesquisas apontam sinais de que os sistemas de recompensa (que dão sensação de prazer) estão relacionados diretamente com os comportamentos compulsivos. Portanto, pessoas com vícios ou compulsões têm sua capacidade de escolha e autocontrole reduzidas.

Pesquisas realizadas também apontam que os valores metabólicos se mostram alterados nos pacientes que apresentam compulsão alimentar.

Desse modo, os hormônios leptina, grelina e colecistocinina, relacionados às funções de saciedade, regulação de taxas metabólicas e a percepção de ingestão alimentar, apresentam alterações significativas.

3. Fatores emocionais

Os alimentos e o ato de comer estão fortemente relacionados com as emoções, por isso, há uma alta incidência de alterações alimentares relacionadas aos estados emocionais.

Assim como há pessoas que perdem a fome em momentos de estresse a ansiedade, outras recorrem aos alimentos para descontar emoções e frustrações.

A baixa autoestima, a auto cobrança excessiva, a vontade de emagrecer ou se enquadrar em padrões estéticos se tornam comportamentos de risco numa sociedade que tende a exercer grande pressão estética.

4. Dietas rígidas

Pesquisas apontam que até 95% das pessoas que já realizam algum tipo de dieta restritiva (aquelas em que se reduz drasticamente a ingestão de pelo menos um nutriente) voltam a engordar.

Esses fatores – dificuldade em manter o cardápio e o posterior aumento de peso – incidem em um desequilíbrio emocional, sentimento de frustração e alterações neuroquímicas, que podem alterar a relação saudável com a comida.

Dicas para desenvolver um comportamento alimentar saudável

Na maioria das vezes o consumo de alimentos é feito de forma inconsciente. Assim, o primeiro passo para quebrar este comportamento alimentar consiste em perceber o seu funcionamento através de uma autoanálise.

Por exemplo: de quantas em quantas horas você come, quando está em uma situação de estresse ou cansaço? Que sinais físicos detecta? Em que momentos do dia sente mais vontade (impulso) do que necessidade de comer? Qual o sentimento que associa ao aumento da quantidade ou tipo de comida que ingere?

Além disso, você pode praticar a atenção plena ao seu alimentar. Existe, inclusive uma nomenclatura para essa técnica. Chama-se Mindful Eating, que preconiza o comer com intenção e atenção, cultivando equilíbrio sem julgamentos nem culpa. Na prática, é o que propõe também o Mindfulness – estado de consciência plena sobre o momento.

Ao se desligar do piloto automático e abrir mão de todos os julgamentos que envolvem o ato de comer, pacientes com doenças resultantes da relação conflituosa com a comida passam a ficar mais atentos às necessidades do corpo e, consequentemente, tendem a se nutrir e se aceitar melhor.

Outra opção é procurar ajuda profissional. Possíveis traumas relacionados, insatisfação corporal, insegurança e baixa autoestima, além de outros transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade podem ser desencadear crises de compulsão alimentar.

Estudos apontam que a psicoterapia apresenta bons resultados através da identificação de um tema do transtorno. Ou seja, com as sessões de psicoterapia, o profissional é capaz de te auxiliar a lidar com centro de conflito.

Mas, se você procura por conhecimento em outros formatos, sugerimos a palestra Comer Sem Culpa Nem Desculpas realizada pela Sensis em parceria com a nutricionista Fernanda Máris Furtado.

Este pode ser o início para retomada de controle sobre suas escolhas alimentares.

 

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