Síndrome Burnout: O esgotamento no trabalho pode ser perigoso à sua saúde

Síndrome Burnout: O esgotamento no trabalho pode ser perigoso à sua saúde

31 de maio de 2019 Sem categoria 0
Síndrome de Burnout

O ritmo de trabalho atual é ditado por um mercado cada vez mais exigente e competitivo. O estresse e a tensão gerados no ambiente corporativo podem colocar em risco a sua saúde física e mental.

O resultado de uma rotina cansativa e estressante, que provoca o esgotamento do corpo e da mente em níveis extremos, tem nome: síndrome de Burnout.

Ela foi descrita, pela primeira vez, em 1974 pelo médico americano Freudenberger. Trata-se de um distúrbio psíquico grave provocado pelo estresse crônico e pelo desgaste no ambiente de trabalho.

Uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association (ISMA) mostrou que 32%, dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros, sofrem com o problema. Sendo considerada a terceira maior causa de incapacidade para o trabalho. Mas não somos os únicos a enfrentá-lo: mais de 20 milhões de pessoas têm Burnout no Reino Unido.

Vamos explorarcomo são realizados o diagnóstico e o tratamento, além de acompanhar dicas de como preveni-la.

O que é a síndrome de Burnout?

O Burnout é o resultado de um prolongado processo de tentativas de lidar condições de estresse, sem sucesso. Não se trata de um evento único, mas de um processo que se difere do estresse em 3 fatores: na despersonalização (que veremos mais adiante), em características como esgotamento emocional e insignificante realização pessoal.

O Burnout é considerado um quadro clínico psicológico extremo, relacionado ao estresse ocupacional. A sua ênfase recai no processo de desgaste psicológico e nas conseqüências psicológicas e sociais da exposição crônica, e não apenas nas reações físicas.

Como identificar os sintomas?

Um dos primeiros sintomas a serem notados por quem sofre com a síndrome é o de esvaziamento de energia. A exaustão física e mental é tão grande que não há final de semana ou férias que possam resolver. Voltar para o trabalho passa a ser emocionalmente insustentável. Não é possível angariar os recursos psicológicos para vencer o sofrimento.

Com tamanha exaustão, vêm a sensação de incapacidade para trabalhar e a falta de concentração. Em alguns casos, há aumento da agressividade ou da passividade: começar a se esconder ou ficar sempre em uma posição de defesa ou de conflito. A relação com os colegas também é atingida, afastando-se dos demais.

Enquanto debatia a síndrome de Burnout no 17º Congresso de Stress da International Stress Management Association (ISMA-BR), realizado na cidade de Porto Alegre/ RS recentemente, a presidente da entidade, Ana Maria Rossi, ouviu um relato que a marcou: uma bancária, em certo ponto, desabafou dizendo que, ao entrar no local de trabalho, “deixava o coração na gaveta” para conseguir oferecer planos e soluções que não eram tão benéficos quanto pareciam para os clientes.

Segundo Ana Maria, esse é um sinal de despersonalização, um dos sintomas do Burnout.

Ou seja, para manter o emprego, a pessoa precisava se descolar do que acredita ser correto. Nas áreas da saúde e educação essa característica também pode ser identificada na frieza no tratamento de pacientes e/ou alunos.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da síndrome de Burnout é feito por profissional da área de Saúde Mental, após análise clínica do paciente. No entanto, muitas pessoas não buscam ajuda especializada por não saberem ou não conseguirem identificar todos os sintomas e, por muitas vezes, acabam negligenciando a situação sem saber que algo mais sério pode estar acontecendo.

Amigos próximos e familiares podem ser bons pilares no início, o ajudando a reconhecer sinais de que precisa de ajuda. O Psicólogo é um dos profissionais de saúde indicados para identificar o problema e orientar a melhor forma do tratamento, conforme cada caso.

O tratamento é feito basicamente com psicoterapia e vai envolver algumas transformações. Elas incluem mudanças nas condições de trabalho e, principalmente, nos hábitos e estilos de vida.

A atividade física regular e os exercícios de relaxamento devem ser rotineiros, para aliviar o estresse e controlar os sintomas da doença. Após o diagnóstico, é fortemente recomendado que se tire férias e desenvolva atividades de lazer com pessoas próximas – amigos, familiares, etc.

E como prevenir a síndrome de Burnout?

A melhor forma de prevenir a síndrome de Burnout é utilizar de estratégias que diminuam o estresse e a pressão no trabalho. Condutas saudáveis evitam o desenvolvimento, bem como ajudam a tratar sinais e sintomas logo no início.

Existem seis áreas em que se deve ter atenção. Quanto maiores os conflitos em cada uma delas, maiores os riscos de se chegar ao desgaste.

Carga de trabalho

O número de horas trabalhadas ou de tarefas a completar em pouco tempo é um fator de estresse. Isso vale para jornadas longas, pouco tempo de folga ou grande pressão para entregar muitos resultados em pouco tempo.

Reconhecimento

O retorno positivo sobre o trabalho importa. Ter a sensação de que há um reconhecimento – seja dos chefes ou da sociedade – pode aliviar o esgotamento. Depois de ter nossas necessidades básicas atingidas, queremos reconhecimento. Quem não se sente gratificado e só ouve reclamações perde a motivação, e o adoecimento é questão de tempo.

Controle

Ter certa autonomia e liberdade para exercer funções e tarefas, sem ser constantemente supervisionado e pressionado, pode evitar o estresse.

Justiça

Quem mais entregou trabalhos de qualidade não recebe um aumento. O outro, que sabidamente é mais próximo à chefia, recebeu. Essa situação não é incomum e tem um grande peso no bem-estar de quem se dedica. Sentir-se injustiçado ou perceber que as regras não são aplicadas da mesma forma para todos gera desgaste.

Valores

Os seus valores pessoais precisam estar em sintonia com a função que você exerce. Se, para cumprir suas tarefas, é necessário ir contra suas crenças e seus princípios éticos, há um grande desgaste emocional.

Comunidade

O apoio dos colegas e um ambiente amigável colaboram para o bem-estar. Poder contar com outros, ter tempo para tomar um café e dividir o dia a dia com os demais é importante. A possibilidade de compartilhar problemas e de estabelecer relações de confiança para buscar soluções ou opiniões torna a experiência no trabalho mais prazerosa.

Coloque a sua saúde mental em primeiro lugar

Agora que você já sabe o que é a síndrome de Burnout e como diagnosticá-la, tratá-la e, principalmente, preveni-la, é a hora de dar o primeiro passo e colocar sua saúde em primeiro lugar para que, assim, você seja capaz de se realizar pessoal e profissionalmente.

É muito mais simples ser um profissional de sucesso quando seu corpo e sua mente estão bem.

Caso você já esteja em um estágio muito elevado de esgotamento, o mais recomendado é procurar ajuda psicológica com um profissional. Atividade física, meditação, mindfulness e outras técnicas de relaxamento também são poderosas aliadas da sua saúde física e mental. Esperamos que você tenha gostado das dicas e, caso se identifique com os sintomas descritos acima, não hesite em procurar ajuda especializada.

 

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